Pelos Caminhos da Ruralidade Regional
Actualmente, assiste-se a um interesse cada vez mais acentuado pelo património de raiz popular, associado aos vestígios de um mundo rural em grande medida desaparecido. De facto, as sociedades modernas são constituídas na sua maioria por indivíduos afastados deste meio, mas que crescentemente sentem o apelo das tradições dos seus avós e bisavós.
A memória e as marcas dessa realidade, estão ainda bem presentes em alguns lugares da região, que se revela bastante rica e diversificada a este nível, sendo certo que o crescimento industrial e urbano, aliado a novos estilos de vida, tem vindo a ocupar os espaços e os tempos do quotidiano.

A ideia para a construção deste itinerário surgiu a partir de alguns anos de trabalho com os alunos dos cursos de Turismo e Património e deAnimação Cultural da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (Instituto Politécnico de Leiria). Aproveito para agradecer a sua colaboração e para lhes dedicar este texto, cujo intuito é lançar algumas pistas para um itinerário em busca dos vestígios de uma ruralidade (quase) perdida…
Museu Etnográfico da Alta Estremadura - Casa da Madalena (Rebolaria – Batalha)
Casa Museu de Aljustrel (Fátima - Ourém)
Neste lugar da freguesia de Fátima, encontramos uma vasta recolha etnográfica das tradições da vida rural de uma aldeia do maciço calcário estremenho num espaço museológico, propriedade do Santuário de Fátima, onde se pretende mostrar o ambiente rural que se vivia nos princípios do século XX.
Agromuseu Municipal Dona Julinha (Ortigosa - Leiria)
Parque de Lazer do Pisão (Bajouca - Leiria)

Assim, a proposta que agora se apresenta por convite, que muito agradeço, da ERT Turismo Leiria-Fátima, consiste na criação de um itinerário cultural de (re)descoberta de algumas das realidades e tradições do mundo rural desta região. O conjunto da oferta existente neste domínio é já assinalável, em grande medida fruto do
orgulho com que muitas pessoas e entidades (ranchos folclóricos, associações e autarquias) encaram o património dos seus antepassados, não se resignando à inexorabilidade da extinção dessa herança.
A memória e as marcas dessa realidade, estão ainda bem presentes em alguns lugares da região, que se revela bastante rica e diversificada a este nível, sendo certo que o crescimento industrial e urbano, aliado a novos estilos de vida, tem vindo a ocupar os espaços e os tempos do quotidiano.
A ideia para a construção deste itinerário surgiu a partir de alguns anos de trabalho com os alunos dos cursos de Turismo e Património e deAnimação Cultural da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (Instituto Politécnico de Leiria). Aproveito para agradecer a sua colaboração e para lhes dedicar este texto, cujo intuito é lançar algumas pistas para um itinerário em busca dos vestígios de uma ruralidade (quase) perdida…
Museu Etnográfico da Alta Estremadura - Casa da Madalena (Rebolaria – Batalha)
Ligado ao Rancho "Rosas do Lena", grupo que tem feito um notável trabalho de recolha etnográfica, este museu visa dar a conhecer o tipo de casa comum na região da Alta Estremadura, com uma reconstituição fidedigna de como seria o seu dia-a-dia.
A partir de duas casas recuperadas (dos séculos XVIII e XIX) mostra-se um acervo de centenas de peças, distribuídas por casa de fora, cozinha, quarto, casa do tear (1.º andar), pelo piso lajeado do rés-do-chão e ainda pelo sótão e pelo pátio exterior.
Muito interessante é a possibilidade de se observarem (através de cortes transversais nas paredes, protegidos por vidro) os diferentes materiais e técnicas construtivas utilizadas na 
própria casa ao longo do tempo, como o tabique, a tijoleira e a carrasca de pinheiro. Neste último caso, revelando o sábio uso de um material abundante na região e com qualidades de isolamento térmico e acústico.
própria casa ao longo do tempo, como o tabique, a tijoleira e a carrasca de pinheiro. Neste último caso, revelando o sábio uso de um material abundante na região e com qualidades de isolamento térmico e acústico.
Com uma consulta prévia ao site do rancho (http://www.rosasdolena.pt) poderá saber quando se realiza alguma das actividades de animação programadas pelo museu, como por exemplo o "Museu ao Vivo" (por altura do aniversário da constituição do rancho), onde poderá observar diferentes trabalhos artesanais, aprender a andar de andas, etc.
Visitas: marcação prévia (T. 918 717 930 / 965 164 735)
Ecoparque Sensorial da Pia do Urso (S. Mamede - Batalha)
A caminho de Aljustrel, ponto seguinte do nosso percurso, poderá fazer uma pausa na aldeia reconstruída da Pia do Urso, percorrendo a pé os caminhos deste espaço lúdico (e adaptado a pessoas com necessidades especiais a nível da visão), apreciando a paisagem da Serra, avistando ao longe alguns moinhos de vento e observando a fauna e flora locais. Se for hora para isso, aproveite para almoçar no restaurante da aldeia ou para merendar à sombra dos velhos carvalhos.
Não deixe de reparar nas muitas "pias" (um dos vários tipos de formações geológicas originadas pela acção da água da chuva sobre o calcário) existentes no ecoparque. São verdadeiras cisternas, poços e bebedouros que a natureza ofereceu aos habitantes de um lugar onde o calcário impera e a água escasseia.
Não deixe de reparar nas muitas "pias" (um dos vários tipos de formações geológicas originadas pela acção da água da chuva sobre o calcário) existentes no ecoparque. São verdadeiras cisternas, poços e bebedouros que a natureza ofereceu aos habitantes de um lugar onde o calcário impera e a água escasseia.
O parque está aberto em permanência. Para mais informações, contacte Centro de Apoio e Interpretação da Pia do Urso (T 244 703 243).
Casa Museu de Aljustrel (Fátima - Ourém)
Neste lugar da freguesia de Fátima, encontramos uma vasta recolha etnográfica das tradições da vida rural de uma aldeia do maciço calcário estremenho num espaço museológico, propriedade do Santuário de Fátima, onde se pretende mostrar o ambiente rural que se vivia nos princípios do século XX.
Diferentes ofícios e actividades estão representados, para além da reconstitui
ção de uma casa desta época e região. Nas imediações podem também ser visitadas outras duas casas antigas devidamente recuperadas: a de Lúcia e a de seus primos Jacinta e Francisco. Horário de visitas - Maio a Outubro: 10.30-13.00/15.00-19.00 (Sábados e Domingos: 10.00-13.00/15.00-19.00); Novembro a Abril: 10.00-13.00/14.30-18.00 (Sábados e Domingos: 9.30-13.00/14.00-18.00); Encerra à terça-feira.
Na mesma linha, se tiver possibilidade, visite também a poucos quilómetros (marcação prévia pelo T. 913579075) o Núcleo Museológico e tnográfico do Rancho Folclórico de S. Guilherme em Magueigia (Santa Catarina da Serra, Leiria; http://www.rfsguilherme.blogspot.com/) em que se faz uma homenagem às origens e aos valores rurais das gentes da aldeia. Repare, em especial, na urdideira, junto ao tear tradicional, bem como no antigo lagar de pedra.
Caso o visitante tenha disponibilidade, poderá marcar ainda uma visita ( T249 581 950, às sextas-feiras depois das 22h ou 249 581 119) ao Ecomuseu do Olival (freguesia do concelho de Ourém), sede do Rancho Folclórico "Os Moleiros da Ribeira", cujo espólio se encontra exposto num antigo moinho de água recuperado (do tipo moinho de rodízio, com dois engenhos), característico de uma área onde chegaram a existir 17 moinhos em funcionamento.
Museu Etnográfico do Freixial (Arrabal - Leiria)
Assumindo-se como repositório de elementos etnográficos regionais muito variados que foram sendo recolhidos pelo Rancho Folclórico do Freixial, este museu (http://museu.rffreixial.pt/) encontra-se instalado numa casa construída à maneira tradicional da Alta Estremadura, aberta ao público desde 2002, em que se procura recriar o espaço do quotidiano de uma família da aldeia.
A casa apresenta, para além de móveis e utensílios domésticos, iconografia religiosa e outros objectos que evidenciam a sua ligação às actividades agrícolas e aos ofícios artesanais do mundo rural (ferreiro, tecedeira, carpinteiro e sapateiro).
No interior da habitação, pode observar-se a chamada "casa de fora" (onde se evoca a religiosidade tradicional, recriando o ambiente de uma visita pascal). Os quartos de dormir e a cozinha (onde a lareira ocupa um lugar de destaque) merecem também a atenção, pela forma cuidada e autêntica com que estão mobilados. De salientar ainda o bonito
alpendre, o pátio, a adega e a casa do forno. Com sorte (e informando-se previamente junto do museu do calendário de actividades previstas…) os interessados poderão assistir (ou mesmo participar) em actividades específicas nas quais se reproduzem fainas e cenas do dia-a-dia rural de tempos passados, tais como vindimas, desfolhadas, matanças do porco e jogos tradicionais.
Horário de visitas - Sexta-feira: 09.00-12.00/14.30-18.00; Sábados e Domingos: 14.30-18.00 (outros dias por marcação:
T. 244745600)
Agromuseu Municipal Dona Julinha (Ortigosa - Leiria)
Recentemente inaugurado, este equipamento abrange a dupla vertente de museu e de quinta pedagógica, em que se apresenta o espólio de uma antiga casa agrícola (e também comercial) desta localidade.
Ao contrário de outros espaços já referidos neste itinerário, em que se evidencia a sua li
gação a uma agricultura de subsistência, este agromuseu evoca uma actividade de lavoura mais abastada, o que se reflecte no número e na dimensão das dependências: adega, celeiro, abegoaria, palheiro, eira, etc.
Muito bem equipado e apresentado do ponto de vista museológico, o agromuseu evoca também o espaço de vida de uma família e da cultura rural desta região. No exterior, os poços, as noras, a picota e as hortas compõem todo um ambiente ligado a essa cultura, assumindo uma deliberada vocação educativa.
A visita será ainda mais agradável se coincidir com a programada reconstituição de actividades tradicionais (descamisadas, vindimas, arranjo de andores, fabrico do folar,...).
Horário de visitas - Terça a Sexta-feira: 14h00 às 18h00 (Sábados e Domingos, mediante marcação - 244 614 635 ou agromuseu@cm-leiria.pt).
Parque de Lazer do Pisão (Bajouca - Leiria)
Este é o local ideal para terminar o seu percurso, descansar um pouco e merendar numa das muitas mesas existentes no parque, uma louvável iniciativa da Associação Bajouquense para o Desenvolvimento (ABAD) que está à disposição do visitante, sendo de realçar o cuidado com que foi concebido e a limpeza com que é mantido.
Uma pequena ribeira serpenteia pelo parque e faz mover o moinho de água (azenha de roda vertical e de propulsão superior) cujo engenho se encontra em pleno funcionamento. Através de uma das janelas pode espreitar o engenho a funcionar e as mós a realizarem o seu trabalho incessante e solitário. Contactando a ABAD, talvez seja até possível combinar que o seu milho ou trigo aí seja moído!
Em qualquer caso, vale a pena passear nos caminhos do parque, usufruindo deste espaço abundante em água e sombras e aproveitando para ver o antigo forno de cal.
A poucos quilómetros, o Museu do Casal de Monte Redondo(www.museumonteredondo.net) possui um acervo ligados às actividades tradicionais, sendo de especial interesse as peças ligadas à exploração económica dos pinhais da região (serração, resinagem, etc.). Curiosa é também a recriação de uma oficina de um artesão coronheiro (fabrico artesanal de coronhas em madeira de armas de fogo) e no exterior, de um forno de pez e carvão de madeira.
Visitável pelos interessados mediante marcação (T. 244 685 159 / 938 112 645).
Copyright – Maria de Graça Mouga Poças Santos
Fotografia – Centro de Recursos Multimédia
ESECS-IPRúben almeidaLeonel Brites
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